sexta-feira, 16 de maio de 2014

ISAAC ABRAVANEL (1437 - 1508)

Don Isaac Abravanel foi um dos maiores estadistas judeus e desempenhou um papel importante na história europeia. Ao mesmo tempo, não foi apenas um judeu leal e estritamente religioso, mas um notável erudito, comentarista bíblico e filósofo. Foi o último de uma longa linhagem de grandes líderes e heróis judeus da Idade de Ouro na Espanha.

Isaac nasceu numa família rica e instruída em Portugal. Seu pai, Judah, era tesoureiro de Estado de Portugal, e grande favorito do Rei Alfonso V. Isaac recebeu uma completa educação judaica, e demonstrou interesse por idiomas e filosofia. Mais tarde sucedeu ao pai no serviço ao rei.

Em sua grandeza, Isaac jamais se esqueceu de seus irmãos humildes. Usava sua grande fortuna para apoiar os necessitados. Assim, quando Alfonso capturou a cidade de Arzilla no Marrocos, e Isaac viu que havia duzentos e cinquenta judeus entre os prisioneiros, designou doze representantes para angariar fundos e resgatá-los, e ele próprio foi um grande doador.

Quando foram libertados, Isaac os sustentou com seus próprios meios durante cerca de dois anos, até que aprendessem o idioma do país e pudessem ganhar o próprio sustento. Abravanel também usou sua grande influência para melhorar a situação dos seus irmãos em outros países.

Quando Alfonso V morreu, e João II o sucedeu no trono de Portugal, a sorte de Abravanel mudou. Em 5243, o Rei João II deu início a uma política que visava a livrar-se dos nobres, especialmente os ministros de Estado que tinham servido ao seu pai. Abravanel soube a tempo que o rei mandara decapitar os funcionários mais graduados, e que ele estava na lista dos que teriam o mesmo destino. Estava a caminho para responder ao chamado do rei, mas quando soube aquilo que o aguardava, Abravanel fugiu para Toledo, na Espanha, onde sua família vivera em outros tempos. Acompanhado pela esposa e dois filhos, Abravanel chegou a Toledo quase sem dinheiro, pois o ingrato rei tinha confiscado toda sua fortuna.

Abravanel conseguiu um emprego numa empresa bancária judaica e ficou contente por sobrar-lhe tempo para estudar e cuidar da sua obra literária. Continuou seus comentários sobre a Torá que fora forçado a interromper devido à pressão dos assuntos de Estado. Escreveu comentários sobre Yehoshua, Shofetim e Shemuel, mas quando começou os comentários sobre o Livro dos Reis, o Rei da Espanha convocou-o para tomar conta do tesouro de Estado. Fernando e Isabel de Espanha sabiam que não conseguiriam encontrar um gênio financeiro mais capacitado que ele, e no mesmo ano em que o famoso Torquemada se tornou chefe da Inquisição na Espanha, Abravanel se tornava oficialmente tesoureiro dos reis (dois anos antes da expulsão dos judeus da Espanha).

Quando foi divulgado o terrível decreto da expulsão de todos os judeus da Espanha, exceto aqueles que desistissem de sua fé, Abravanel tentou evitar a catástrofe. Implorou aos reis que reconsiderassem aquela cruel decisão e ofereceu uma grande soma para o tesouro real. O rei e a rainha não lhe deram ouvidos e rejeitaram suas ofertas de dinheiro.

Em 9 de Av de 5252 (1492), Abravanel e sua família se puseram em marcha com o restante de seus correligionários. Ele abriu mão de seu cargo importante e juntou-se aos seus irmãos no exílio e sofrimento. Os refugiados finalmente chegaram a Nápoles, na Itália. Quando Fernando soube que os judeus tinham encontrado um porto seguro em Nápoles, pediu ao Rei de Nápoles (também Fernando) que não desse permissão aos refugiados de permanecer em seu país. O jovem Rei de Nápoles, porém, ignorou os protestos e exigências dos cruéis governantes da Espanha. Além disso, convidou Abravanel ao palácio real e o nomeou seu conselheiro.

Abravanel serviu a ele e ao seu filho Alfonso II, quando este subiu ao trono em 1494. Infelizmente, Nápoles foi capturada pelo Rei Carlos da França no ano seguinte, e o Rei Alfonso fugiu para a Sicília. Abravanel acompanhou Sua Majestade ao exílio e continuou a servi-lo fielmente, com devoção paternal, até que o rei exilado morreu. Então Abravanel partiu para a Ilha de Corfu, no Mediterrâneo.

Tendo perdido toda a sua fortuna para os conquistadores franceses, Abravanel passou por pobreza e provações. Mudou-se para Monopoli no Norte da África e, 8 anos depois, finalmente estabeleceu-se em Veneza. Não demorou muito e os governantes de Veneza convidaram-no para o Conselho de Estado, e Abravanel tornou-se um dos estadistas mais importantes da República Veneziana. Abravanel faleceu em Veneza em 5629, aos 71 anos, profundamente pranteado pelos cidadãos judeus e não-judeus do local. Os governantes de Veneza compareceram ao seu funeral, e foi enterrado em Pádua.





Nissan Mindel







Fonte do Texto e da Gravura:
PT.CHABAD.ORG - Revista Semanal
Chabad.org é uma divisão do Chabad-Lubavitch Media Center
Sob os auspícios da Sede Mundial de Lubavitch
http://www.pt.chabad.org/

segunda-feira, 12 de maio de 2014

POVOADO ESPANHOL "MATAJUDEUS" QUER MUDAR SEU NOME (CASTRILLO MATAJUDÍOS)

“Castrillo Matajudíos” é um pequeno vilarejo na comunidade autônoma espanhola de Castela e Leão, no noroeste do país, que ficou famosa mundialmente por seu nome politicamente incorreto. Seus 56 habitantes agora decidiram votar se mantêm o polêmico nome ou se o trocam por algo menos agressivo. 

Dois nomes estão sendo debatidos: Castrillo Mota de Judíos ou Castrillo Motajudíos, que significa “colina de judeus”. O prefeito Lorenzo Rodríguez Pérez revelou que o vilarejo recebe várias cartas exigindo que o nome da localidade seja alterado. “O nome pode ser considerado uma ofensa por muitos. Os moradores preferem dizer que são de Castrillo, para evitar polêmicas”. 

Não se sabe ao certo como esse título surgiu. O historiador Rodrigo de Sáez explica: “O termo original era Mota Judíos mas, entre os historiadores, não existe consenso se a mudança para Matajudíos foi provocada por um conflito real com os judeus ou se foi uma deformação provocada pelo antissemitismo que reinava na Espanha nos tempos da Inquisição, durante os séculos XV e XVI”. 

A primeira referência encontrada em registros ao termo “Matajudíos” é de 1627. O prefeito diz que seus ancestrais no vilarejo são inocentes das acusações de terem matado judeus. “Foram os de Castrojeriz, um povoado perto daqui, que em 1035 acabou com os judeus, matando algo como 60 judeus e realocando os demais para uma colina próxima a Castrillo”. De acordo com esta versão, foi nesta época que se começou a chamar o novo povoado de Castrillo Mota de Judíos, em referência à colina, que fica no caminho dos peregrinos de Santiago de Compostela.




Fonte do Texto e da Gravura: 
Informativo "ALEF News/Israel e o mundo judaico"
Ano 19 - Edição 1.899 - 12 de maio de 2014
Direção: Mauro Wainstock e Tania W. Benchimol
http://www.alefnews.com.br/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

ARQUEÓLOGOS ENCONTRAM CIDADE ONDE SALOMÃO FOI UNGIDO REI DE ISRAEL



Um grupo de arqueólogos revelou o descobrimento da chamada “Cidade da Primavera”. Segundo os estudiosos, o local é descrito no livro bíblico “Reis” como sendo o lugar onde Salomão foi ungido pelo sacerdote Zadoque como rei, por ordem de Davi, seu pai. A “Cidade da Primavera”, que deve ter pelo menos 3.800 anos, foi construída para guardar e proteger a água de inimigos e, na opinião dos especialistas, seria a maior fortaleza que existiu antes do reinado de Herodes. Considerada uma das pesquisas arqueológicas mais complexas já realizadas em Israel, a escavação levou 15 anos de trabalho.


Fonte: Informativo "ALEF News/Israel e o mundo judaico"
Ano 19 - Edição 1.889 - 09 de abril de 2014
http://www.alefnews.com.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/salom%c3%a3o-sabedoria-linha-arte-b%c3%adblia-5237850/

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A HISTÓRIA JUDAICA DE PORTUGAL

Com a conquista da Lusitânia pelo Império Romano e a posterior destruição de Jerusalém em 70 d.C., que obrigou os judeus a se dispersarem pelo mundo ("Diáspora judaica"), fez com que um grande contingente de hebreus buscassem um novo lar na Península Ibérica (ou para ali fossem deportados, como ocorreu no tempo do imperador Adriano). Embora não se saiba exatamente quando se iniciou tal movimento migratório, a presença de judeus no território que futuramente constituiria Portugal pode ser comprovada a partir do século VI d.C., pela descoberta de inscrições funerárias na freguesia de Lagos da Beira.




Fonte: http://youtu.be/KMhNlt_SLoU

Publicado no Youtube por:

Silvio Olyver סילביו אוליביירה

https://www.youtube.com/user/silvioolyver

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA - - - A REVOLUÇÃO SILENCIOSA

Não espere tanques, fuzis e estado de sítio.

Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevês e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades.

Não espere tanques nas ruas.

Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e estrelinha vermelha circulando nas cidades.

Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.

Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.

A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira. Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar.

Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas. Corrói a valorização do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem.

Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática.

Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos, não serve.

Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações.

Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser "humano" e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros.

Ter é incompatível com o ser. Esse é o princípio que estamos presenciando.

Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por consequência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio (...).

A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples.

Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental - que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário.

Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males. E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.

No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo.

São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa.

Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos.

Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que "tem" e é "dono" de algo, enquanto outros nada têm.

Como se houvesse relação de causa e efeito.

Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro "Geografia", obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro.

O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade.

Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de "alguns" e que assentamentos e pequenas propriedades familiares "são de todos".

Aprendem que "trabalhar livre, sem patrão" é "benefício de toda a comunidade". Aprendem que assentamentos são "uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais".

E também aprendem a ler um enorme texto de... adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros.

O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence. Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em  palavras ao descrever que "meninos e meninas, a nova geração de assentados... formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST".

Essa é "a revolução silenciosa" a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas.

Nada mais totalitário. Nada mais antidemocrático. Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazifascista.

Tristes são as consequências.

Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio.

Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim.

A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.

O antídoto para "A revolução silenciosa"? Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da "Stazi" silenciosa.

Não há silêncio que resista ao barulho!




Diego Casagrande  
Jornalista em Porto Alegre/RS



Fonte: http://www.averdadesufocada.com/index.php/vale-a-pena-ler-de-novo-especial-86/3837-2309-a-revoluo-silenciosa
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 15 de abril de 2012

DESESCRAVIZAÇÃO: UMA HISTÓRIA CONTADA PELA METADE

“... a abolição libertou os brancos do fardo da escravidão e abandonou os negros à sua própria sorte.” (Florestan Fernandes)

A crise da escravidão no Brasil foi um processo lento e incerto. Teve início com o Bill Aberdeen, de 1845, e com a Lei Eusébio de Queirós, de 1850.

Com o fim do tráfico internacional, a escravidão entrava em progressivo colapso, auxiliada pelo processo de decadência do Império, e para defender esse sistema de trabalho a aristocracia escravista recorria ainda a todos os instrumentos possíveis, da violência à política.

Marcante no Brasil e que impulsionou para acabar com a escravidão foi o chamado Movimento Abolicionista. Os escravos sempre lutaram contra a escravidão, porém, a partir de meados do séc. XIX, essa luta passou a empolgar também uma parcela da população livre urbana. O estímulo deveu-se a uma série de acontecimentos internacionais, dentre eles, destaca-se, a oposição inglesa à escravidão e que ia abrindo espaço à reafirmação dos princípios liberais de igualdade jurídica, muito apreciado pelos abolicionistas.

Setores urbanos também juntaram-se ao movimento quando começaram a perceber que a relação entre o fim da escravidão e desgraça econômica era uma habilidosa montagem de ideias visando desarmar os opositores à escravidão.

Sabe-se que o grande contingente de escravos concentrados na região Nordeste teve como elemento causador a economia açucareira do início da colonização. Entretanto, esse quadro começou a mudar com a queda do comércio açucareiro e o deslocamento da matriz econômica do Nordeste para o Sudeste, com o crescimento e a valorização do café. Devido à cultura do café houve um aumento significativo do número de escravos em São Paulo, trazendo consigo todas as pressões e tensões relativas ao trabalho forçado.

Tais pressões e tensões tinham como motivos: - a contradição entre a fé cristã e a prática da escravatura, - a contradição entre liberalismo e a escravidão, ou seja, os ideais de liberdade e igualdade sociais e jurídicas, princípios básicos do liberalismo, se confrontavam com a realidade de pelo menos 40% da população que não era contemplada com esses direitos, e - a tensão por detrás do trabalho forçado, ou seja, a oposição e resistência dos escravos, das mais variadas formas, motivadas pela conscientização e desejo da possibilidade da conquista da liberdade.

Assim, ia se processando uma mudança de mentalidade do Estado em relação à escravidão que iria afetar: - a questão dos magistrados, - uma forte pressão externa, uma crescente luta dos escravos por sua própria integridade; e - uma divisão entre fazendeiros do Nordeste e Sudeste.

E a luta pela emancipação acontecia, então, em meio às disputas entre o governo e a classe dos proprietários rurais e no bojo dos acontecimentos sociais da época.

Surgia ainda a Lei do Ventre Livre, em 1871, que por sua vez também garantia oficialmente o direito à compra da liberdade e à prática do Estado na libertação de seus escravos. A aprovação dessa lei deveu-se muito ao grande número de representantes políticos do Nordeste que, com o deslocamento de escravos de sua região para o Sudeste, provocados pela corrida do café, deixaram de temer a questão abolicionista.

Pelas pressões externas e internas, portanto, a escravidão ia, aos poucos, se desorganizando. E isso tomava força porque os escravos também estavam se inserindo na realidade de uma construção de consciência nacional e de cidadãos, principalmente pela apropriação da língua e costumes.

Assim sendo, quando a Lei Áurea foi promulgada (1888), apenas ratificou toda essa situação, o que não deu, de fato, por encerrado a escravatura no Brasil.

Cabe aqui destacar que a figura da Princesa Isabel não possui nada de bondosa; ela assinou a Lei somente porque não havia outra alternativa a partir de fortes pressões e contextos sociais, políticos e econômicos nacionais e internacionais, principalmente devido ao processo civilizatório. A ciência historiográfica faz cair por terra ídolos forjados, tanto por interesses diversos e obscuros, quanto por ignorância.

É importante trazer à tona que, ao contrário do que afirmavam os escravocratas, o país não mergulhou no caos com o fim da escravidão. Na verdade, foram os interesses dos escravocratas que foram frustrados.

Em suma, para os negros libertos foi grande, e continuou a ser, a dificuldade de integração na sociedade. Enfrentando um racismo mal-encoberto, sem oportunidades de melhorar a situação material, os negros formaram a camada mais explorada das classes populares. E mesmo com dificuldades e sacrifícios tentavam eliminar tudo o que lembrasse a escravidão.

A difícil relação entre senhores e escravos agora tomava a forma de discriminação entre brancos e negros. Estava se consolidando o racismo, a marginalização e a discriminação racial e social contra o negro; realidade esta que se prolonga até hoje.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Referências e sugestões bibliográficas:
  • “Da Monarquia à República: momentos decisivos”, Emilia Viotti da Costa
  • “Brasil: Síntese da Evolução Social”, Aluysio Sampaio
  • “História Sincera da República”, Leoncio Basbaum
  • “A Abolição”, Emilia Viotti da Costa
  • “O Sistema Colonial”, José Roberto do Amaral Lapa
  • “Brasil Império”, Hamilton M. Monteiro
  • “História do Brasil Imperial”, Luiz Roberto Lopez
  • “Evolução Social do Brasil”, Nelson Werneck Sodré
  • “Formação Histórica do Brasil”, Nelson Werneck Sodré


    Fonte da imagem:  Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O INTEGRALISMO (FASCISMO TUPINIQUIM OU VERDE-AMARELO)


No princípio do século 20, mais precisamente em 1929, a partir da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, uma crise econômica espalhava-se pelo mundo, causando desemprego, diminuição dos salários e desconforto social. Conflitos políticos internacionais acabavam, obviamente, refletindo-se no Brasil. O nazismo e o fascismo, como oposição ao socialismo, cresciam apoiados pela alta burguesia e como meios e tentativas de superar a essa crise político-econômica.

O nazifascismo, então, chegou ao Brasil, e na primeira metade do século 20, em 1932, dentro do contexto dos acontecimentos europeus e inspirado principalmente no fascismo italiano, nascia a Ação Integralista Brasileira (AIB), através de um Manifesto à Nação Brasileira, de autoria do escritor Plínio Salgado e a partir de reuniões de vários grupos da direita política.

O Manifesto preconizava uma ditadura ultra nacionalista, um partido único, a obediência a um único chefe e a crença na famosa apologia “Deus, Pátria e Família”, que é o chauvinismo da civilização cristã e do patriarcalismo, ou seja, a crença (narcisista) exagerada e tendenciosa de que o país ou grupo ao qual se está inserido é o melhor em qualquer aspecto do que os outros. Seu conteúdo programático atacava ainda, com violência, o liberalismo burguês e o socialismo. O Estado deveria ser autoritário e extremamente nacionalista.

O principal apoio às ideias integralistas vinha dos setores mais conservadores da sociedade: das oligarquias tradicionais (latifundiários e grandes capitalistas), da alta hierarquia militar, da Igreja Católica e inclusive de parte da classe média descontente.

Como era inspirada no fascismo europeu, a AIB pregava o ódio aos comunistas; o “perigo vermelho” estava por toda a parte. As manifestações esquerdistas tomavam vulto no Brasil, e os integralistas, como seu modelo italiano, formavam grupos paramilitares (os “camisas-verdes”), agindo violentamente para dissolver as manifestações dos esquerdistas.

Sua organização se inspirava em modelos militares, com obediência rígida à hierarquia, culto ao chefe, militantes fardados, bandeiras, símbolos e saudações com o braço levantado e o grito “anauê”. Viam-se pelas ruas marchas, manifestações e ataques armados aos “contrários” à sua doutrina ou aos acusados apenas de serem comunistas.

Entretanto, mesmo com muitas inspirações estruturais e modelo nazi fascista, deve ser realçado que o integralismo e o nazifascismo são dois projetos com visões diferentes em certos aspectos. Este tinha o apoio do grande capital e buscava a expansão econômico-industrial sem se importar com as consequências, enquanto aquele visava uma “volta ao campo”.

É sabido no que resultou a ascensão do nazifascismo. Entre 1939 e 1945, a Segunda Guerra Mundial tirou a vida de cerca de 60 milhões de seres humanos, sem contar os mutilados, traumatizados e torturados. Junte-se a isto a destruição material, a fome e as crises consequentes.

Muitos dos que se uniam ao integralismo eram seduzidos pelo programa nacionalista e pela ideia de criar um Estado acima de classes sociais e em “benefício” de ricos e pobres. O capitalismo financeiro, para isto, deveria ser extirpado. E de igual maneira como o nazismo difundia, o mal estava principalmente depositado nas costas dos judeus, tese esta formulada a partir da deformação intencional dos fatos históricos e sociais. O antissemitismo, na visão historiográfica do mundo, sempre esteve presente nas ideologias totalitárias, pois o “mal” (os judeus) deveria dar lugar ao “bem”. É o racismo ariano potencializado a partir de crises econômicas e por mentes preconceituosas. Aliás, o antissemitismo tem uma de suas vertentes no antigo mito medieval do “judeu malvado”, onde os judeus eram responsabilizados por todos os males que aconteciam na Alemanha. Mas isto é temática para outro artigo e foge do contexto deste.

Enfim, com Getúlio Vargas nesse tempo chegando ao poder, os integralistas viam o Brasil rumando para a direita e indo ao encontro de suas ideias. Mas esta euforia integralista durou pouco, pois Getúlio Vargas, com o Estado Novo, decretou a extinção dos partidos políticos no Brasil e os integralistas não chegaram a ocupar cargos na política brasileira. Como era de se esperar, e a partir de sua tendência belicosa, os integralistas tentaram derrubar o governo em março de 1938, o que resultou em fracasso. Mais tarde, em maio do mesmo ano, um novo levante integralista, conhecido como intentona integralista, entrava em ação, e mais uma vez resultou em fracasso. Plínio Salgado continuou em liberdade, e em janeiro de 1939 foi para o exílio, em Portugal.

Cabe a pergunta: poderia haver um regime sociopolítico ideal ou mais conveniente para uma nação e seu desenvolvimento?

O Totalitarismo sempre pregou e se orgulhou de possuir muitas vantagens. Por exemplo: a centralização do poder como facilitação do controle geral das atividades, sem dispersão; o impedimento de discussões improdutivas, principalmente entre políticos corruptos; o controle das disputas de cargos públicos; a aplicação de leis sem a interferência das câmaras e do senado que são lerdos e se perdem em discussões ideológicas, esquecendo-se do bem comum, e assim por diante.

Mas tudo isto apresentou e apresenta problemas, pois para que possa funcionar deve impôr controle à liberdade de pensamento, de associação e de locomoção. Além do mais, o coletivo fica restrito ao pensamento de um ou de poucos no poder; a iniciativa é tolhida.

Em suma, é perfeitamente visível que a liberdade em demasia é degenerante e em tudo promove desordem. Seria necessário que o povo fosse de grande cultura e principalmente de elevado caráter para que a liberdade não se tornasse libertinagem, corrupção e exploração. A absoluta liberdade é caótica nos atuais moldes de nossa civilização e aspirações da humanidade. A norma ainda é de uma liberdade de se fazer o que deve ser feito, e não a liberdade de se fazer o que quiser. Enquanto isto, a história nos mostra um aglomerado de ideologias político-econômicas na tentativa de ser (ou impôr) a mais perfeita.

Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Referências e Sugestões Bibliográficas:
  • “Pequena História da República”, Cruz Costa
  • “O Brasil Contemporâneo”, Sandra Jatahy Pesavento
  • “História do Brasil Contemporâneo”, Luiz Roberto Lopez
  • “História do Século XX”, Paulo Fagundes Vizentini
  • “Brasil em Perspectiva”, Carlos Guilherme Mota (org.)
  • “O Inimigo Eleito: os judeus, o poder e o antissemitismo”, Júlio José Chiavenato
  • “Getúlio Vargas e sua Época”, Antonio Augusto Faria e Edgard Luiz de Barros
  • “A História Crítica da Nação Brasileira”, Renato Mocellin
  • “Dicionário de História do Brasil”, Moacyr Flores
  • “Convite à Filosofia”, Marilena Chaui


    Fonte da imagem: Acervo de autoria pessoal

OS FASCISMOS

Este texto se propõe estabelecer uma relação entre o filme “Arquitetura da Destruição” (direção de Peter Cohen) e o texto “Os Fascismos”, de Francisco Carlos Teixeira da Silva (In: Aarão; Ferreira (orgs.). “O Século XX”, vol. 2).


O filme mostra claramente que Adolph Hitler possuía um imaginário artístico muito marcante, embora, na sua vida, isto tenha sido frustrado quanto ao seu estudo e concretização. Ele era um admirador da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), e foi daí que provinha todo o seu gosto pelas artes.

A partir desta capacidade artística proeminente e inerente em si, projetou um modelo de raça, baseado nos moldes arianos a que tanto se inspirava, destruindo tudo o que considerava, sob seu ponto de vista, como “feio” e “anormal”, para criar, então, um novo homem, puro de raça e estético. Buscava, assim, todo o apoio nas artes para desenvolver a sua ideologia e seu projeto.

Fascinado pela ideia racial ariana, sua visão de estética fez apresentar os seus diversos inimigos sob um aspecto comum, para não haver o perigo de as massas refletirem sobre as diferenças entre esses inimigos. E o aspecto comum foi o antissemitismo. Hitler exigia fé, mas sem o livre raciocínio, pois se raciocinassem poderiam descobrir ou desconfiar de sua ideologia baseada em princípios claramente autoritários que moviam todas as suas decisões.

Os ingredientes essenciais do Nacional-Socialismo já estavam em ebulição e evidência mesmo antes de Hitler os impor. Porém, por seu meio, recebeu as suas feições e a organização radical de repúdio deliberado e integral dirigido à religião, à ética e à humanidade. Assim, tentando eliminar e depois utilizando-se do eliminado, ou seja, tentando eliminar o “feio” e expressar a estética, utilizou-se exatamente daquilo que queria eliminar e que há de mais bárbaro e cruel na imaginação. Imaginação esta que Hitler possuía em alto grau. Talvez por este fato, dentre outros, os fascistas, em geral, difamam a psicanálise pois ela poderia dizer e revelar coisas que os fariam entrar em conflito com seus princípios ideológicos. Junte-se a isto que esta ciência psicanalítica era considerada judaica; Sigmund Freud era judeu.

O mundo naquela época parecia estar paralisado, amedrontado. Muitos, apesar de tudo, consideravam os fascismos como um possível meio e alternativa de conter a expansão do comunismo. Ansiedade e paranóia era o estado que vivia o mundo depois de acontecimentos marcantes como a Revolução Russa, a 1ª Guerra Mundial, a crise de 1929 e outras inquietações. E a defesa contra isto vai sendo idealizada por meio da construção de uma chamada “teoria limpa”, estética, artística, de reconstrução e de ordem. Essa “teoria” apresentou-se ao mundo ansioso e amedrontado como ideias e ideais fascistas ou os fascismos, e mais particularmente na forma de nazismo, com todas as suas características de uma arte e estética delirante e frustrada, onde ninguém era perdoado, nem os liberais, nem os marxistas e nem ainda o próprio povo alemão. Genericamente temos o nazismo (Alemanha, Hitler), o fascismo (Itália, Mussolini) e até a versão brasileira, o integralismo* (Plínio Salgado).

Uma liderança carismática organizada, ritualística e artística parecia envolver os seres humanos. Estes, quem sabe, frustrados, por sua vez, por não encontrarem outras alternativas, até se dispuseram inicialmente a enveredar pelo mundo e alternativas fascistas. Porém, o preço foi demasiadamente alto. A liderança carismática, no caso de Hitler, negando e tolhendo todas as diferenças, que são inerentes ao ser humano, optou por caminhos obscuros, transformando o gosto pelo belo, pela ordem e pela estética em gosto pela destruição.

Atualmente, a possibilidade moderna da existência de várias versões de fascismo, como no passado, coincide sempre com o caos social, político, econômico e ético, basta que analisemos e relacionemos, historicamente, o ambiente social e os seus governos respectivos. Por isto, os fascismos tornam-se em movimentos de massas, que não podem ser considerados apenas como mais um dos fenômenos históricos do passado, pois são possibilidades sempre presentes. O extermínio sempre foi uma realidade e vive no inconsciente individual e coletivo dos povos. Parece estar sempre viva a tendência, por parte de alguns, à aniquilação da individualidade, das leis e da justiça, tal como nos campos de extermínio nazista, daí o receio ou a esperança.

O peso histórico das atrocidades fascistas e mais particularmente dos nazistas parece ser um fato que ainda perturba profundamente as consciências. Talvez aí esteja a razão da proliferação de livros (neo)nazistas e de “revisionismos” históricos. Quem sabe alguns ainda pretendem aniquilar os conceitos de “bem” e “mal”, “certo” e “errado”. Peso de consciência para outros? Aniquilação de conceitos? Desorientação? Tentativas de retorno aos fascismos? Destruição e negação da história (como se fosse possível)?

A utilização do racismo como uma principal arma ideológica era o mesmo no programa de todos os fascismos em qualquer época, como registra a historiografia. É o mecanismo de manipulação de massas, de ódio e desprezo pelas alteridades e minorias.

As ideias estéticas de Hitler que se tornaram a “arquitetura da destruição” forçavam a dissolução dos partidos (exceto o seu partido!), fechavam sindicatos, enchiam os campos de concentração de socialistas, comunistas e judeus, e arregimentavam as forças intelectuais, educacionais e religiosas sob a vigilância da Gestapo. E Hitler dizia: “As massas são como uma mulher que se submeterá ao homem forte...” E quanto a essa submissão autoritária Mussolini dizia: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.” Eis o desejo profundo dos governos totalitários que, em outras palavras, arquitetam controlar e determinar todos os passos da vida pública e privada dos indivíduos.

Hitler foi um espírito rebelde desde jovem. Parece ter sofrido da ilusão dos “sem-rumo” e frustrados na vida. De um grande artista que queria ser não passou de algumas poucas obras artísticas. Torna-se difícil saber o que se passa realmente no âmago dos homens, porém, Hitler, por exemplo, nos leva a crer que criou raiva ao mundo e que se vingaria. Sua ambição artística bloqueada parece ter se transformado em crueldade. Tudo nos faz acreditar que, com sua raiva e frustração, foi aproveitado como instrumento para levar a cabo a “vingança da Alemanha” após a 1ª Guerra Mundial. Ou ele se aproveitou da situação para se vingar de suas frustrações, ou frustrado foi reanimado e aproveitado para as manobras pós Tratado de Versalhes onde os alemães foram humilhados. Em qualquer caso ele levou adiante uma espécie de “vingança” contra as formas liberais de organização que acusa serem culpadas pela crise e elementos desagregadores do Estado. Levou ainda adiante a investida carismática, a introdução do Estado Orgânico que não se macula com as contradições de grupos e minorias. Foi ainda contra o marxismo e as alteridades como já visto neste texto.

Provavelmente Hitler não tenha sido culpado único. Tudo indica que tenha sido um instrumento aliado aos interesses militares e comerciais da Alemanha (Goebbels, Thyssen etc.). Junte-se a isto que o povo, de certa forma, também estava disposto a ver a Alemanha de outra maneira, diferente do pós 1ª Guerra, mesmo que trocada a educação pelo militarismo, pela disciplina rígida e pelo totalitarismo fascista.

Enfim, a historiografia é rica em fatos históricos sobre o assunto, ainda mais sendo um episódio que pode ser considerado recente e fartamente ilustrado e documentado, com testemunhas que viveram e trouxeram fatos à tona. Mas o que pode ser afirmado é que a humanidade passa periodicamente por experiências ideológicas de diversas e árduas matizes. Sempre grupos ou pessoas individualmente sintonizaram-se com as diferentes ideologias, sejam essas sintonias fruto de causas pessoais (compreensão ou visão de vida, frustração, ilusão etc.) ou simplesmente uma meta a ser seguida.



Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan) 



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

sábado, 6 de novembro de 2010

O ESTADO MONÁRQUICO VERSUS O ESTADO REPUBLICANO

Algumas mudanças, na transição do Império para a República, estavam em andamento, tais como o regime político, o sistema eleitoral, o tipo de relação entre os poderes do Centro (Rio de Janeiro) e dos Estados, a apropriação do poder republicano pelas elites latifundiárias (cafeicultores), o desenvolvimento da cafeicultura, o crescente aumento do capital inglês no financiamento da cafeicultura, a inserção do Brasil  no mercado mundial, a passagem da economia brasileira de comercial para comercial-financeira, a valorização do capital, a abolição da escravatura, a ampliação do trabalho livre, a entrada dos imigrantes e tantas outras mudanças. Pode-se ainda acrescentar que a ideia republicana já estava embutida em vários movimentos de “rebeldia” que ocorreram: Inconfidência Mineira, Inconfidência Baiana, Revolução de 1817, Confederação do Equador e Revolução Farroupilha.

É comum, entre os historiadores, dizer que o Estado monárquico era caritativo e paternalista. A vida se processava numa relação de troca, numa negociação entre o povo e o Império, pois o Estado monárquico promovia, de certa maneira, os auxílios e amparos públicos. De um lado, serviço e lealdade, e, de outro, proteção e recompensa. Isto gerou a ideia de “mentalidade paternalista” e de “paternalismo brasileiro”, e foram construídas, por isto, figuras carismáticas, como o próprio D. Pedro II e D. Obá II. Estes, aliás, tinham as suas bases de sustentação no assim chamado paternalismo. 

Politicamente, eram excluídos os pobres, mendigos e mulheres. Estes ficavam fora da sociedade política. As elites agrárias dominavam o Império, enquanto o povo confiava no paternalismo que, no fundo, era uma forma de dominação implícita, porém, era uma forma de se conseguir alguns “direitos” e proteção numa vida sem expectativas maiores do que a subsistência.

Entretanto, o Império era um obstáculo ao crescimento dos setores dominantes, na medida que era muito centralizador. E ainda outros não se sentiam à vontade no Império, como por exemplo os operários do Estado, para redefinir suas aspirações e papel político. 

Por outro lado, com o Estado Republicano, o Brasil mudava a forma de governo sem revolucionar a sociedade. O povo continuava pobre e as elites na prosperidade. A República instaurada era ainda pouco democrática e muito conservadora, e continuava sendo o país do latifúndio e do café. Contudo, novas transformações políticas abriam caminho, ou seja, desaparecia o Poder Moderador, foi extinto o caráter vitalício do Senado, o desaparecimento da eleição baseada na renda, a extinção da nobreza de títulos, o fim dos governadores provinciais nomeados, dentre outras transformações.

Surge a segunda Constituição Brasileira (a primeira da República) em 1891, impondo a forma federativa de governo, ou seja, dá aos Estados inúmeros direitos. A Constituição instaura também o presidencialismo e o regime representativo democrático. A República nasce com uma estrutura baseada, então, no federalismo, no presidencialismo e na ampliação do regime representativo, embora, na prática, as dificuldades de um pleno funcionamento deixaram muito a desejar. Nem tudo poderia funcionar na prática, pois ainda a sociedade agrária era base e precisava sobreviver. E a inclusão de todos os grupos sociais no processo político abalaria a estrutura produtiva latifundiária, a sociedade agrária.

No mundo das ideias e das mentalidades houve alguma mudança, embora a República não produzisse correntes ideológicas próprias. Porém, as ideias puderam se difundir mais livremente. Houve, inclusive, uma nova atitude dos intelectuais perante a política, atitude esta que não foi fácil no que se refere à convivência pacífica entre a República da política e a República das letras, nos primeiros tempos. Os sentimentos e atitudes, entre as elites, também se tornaram mais livres, bem como ainda a quebra de valores antigos e tradicionais. Isto é transparente no que se refere ao aprofundamento do capitalismo que se processou na República, onde a ética era menos observada em relação à ganância e o lucro.

Temos ainda a prevenção republicana contra pobres e negros, exatamente estes que não aderiram à ideia republicana. Muitos ficaram desapontados com a República, pois pensavam que ela lhes propiciaria uma maior participação, e dentre os desapontados estavam os operários e os intelectuais. A própria população pobre, sem mais aquele Estado caritativo e paternalista, começou sozinha a se auto-administrar e a se auto-prover. Uma espécie de rede comunitária começou a se organizar na falta de incorporação das baixas camadas pela República. Isto, por si só, provocou uma quebra de valores, levando-lhes à uma busca de novos valores e capacidades criativas independentes, apesar de que ainda a cidadania lhes era praticamente negada, pois o acesso aos direitos civis, políticos e individuais era quase nulo, levando a crer que uma decepção e desânimo tomava conta nos primeiros tempos da República, o que em parte pode ser correto.

O avanço burguês era nítido por causa do capitalismo e liberalismo que avançava beneficiando uns e excluindo outros. A própria obrigação do Estado de promover os socorros públicos foi retirada da Constituição de 1891. Os diretos sociais foram até diminuídos em relação ao Império. O endurecimento do sistema republicano tolheu em muito a cidadania e estava levando a uma decepção e desencanto por parte de muitos grupos no início da República. A mudança de regime levou muitos a crerem na ampliação dos direitos dos cidadãos. Mas o contrário ocorria, e ainda os setores vitoriosos obstaculizavam a democratização. As classes médias e o proletariado urbano permaneceram sem forças diante das oligarquias rurais. Os trabalhadores rurais continuaram nas mesmas condições de vida do Império. O sistema de produção, o caráter colonial da economia e a dependência externa também não mudaram em relação ao Estado imperial. Entretanto, a população crescia, a indústria se desenvolvia, aumentava a urbanização, o proletariado e a classe média se espalhavam pela República, o que não ocorria no Império.

Enfim, o que se pode perceber é que o Império já se mostrava corroído e antiquado e não correspondente às novas realidades políticas, sociais e econômicas. A República, apesar de todos os seus problemas e interesses menos dignos, não deixava de ser uma evolução natural de um regime imperial obsoleto, num mundo de constantes transformações. Como assinala Nelson Werneck Sodré, “O Império não foi o paraíso como é apresentado a estudantes incautos. O Brasil, sob o Império, era, na verdade, uma grande fazenda escravista, mal administrada.”


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Referências e sugestões bibliográficas:

-“A República: uma revisão histórica”, Nelson Werneck Sodré
-“Evolução Social do Brasil”, Nelson Werneck Sodré
-“Formação Histórica do Brasil”, Nelson Werneck Sodré
-“Os Bestializados: o RJ e a República que não foi”, José Murilo de Carvalho
-“Viva a República!”, Donatello Grieco
-“O Cotidiano da República”, Sandra Jatahy Pesavento
-“História Sincera da República”, vol2, Leoncio Basbaum
-“Brasil em Perspectiva”, Carlos Guilherme Mota (org.)
-“Da Monarquia à República: momentos decisivos”, Emilia Viotti da Costa
-“História Nova da República Velha”, Joaquim J. Felizardo
-“Brasil República”, Hamilton M. Monteiro


Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

CAUSAS DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Podemos dizer que o fim do governo de D. Pedro II foi marcado por uma série de contestações ao regime imperial. Contestações tendo por base a campanha abolicionista, a “questão religiosa”, a “questão militar”, a insatisfação da oligarquia cafeeira, a insatisfação das elites dos setores produtivos das províncias e as transformações sociais e econômicas a partir da Revolução Industrial. Tudo isto demonstrava os efeitos da realidade que estava sendo vivida na época, ou seja, efeitos advindos dos conflitos e mudanças  nas áreas econômicas, políticas e sociais que se difundiam a partir da Europa. Mas, o que realmente movia o Império rumo à República?

A oligarquia cafeeira do Oeste paulista, que integrou o movimento republicano, tornou-se a maior concentradora de poder econômico no Império. Ocupou terras férteis, utilizou o trabalho livre e técnicas mais avançadas no beneficiamento do café. Esse grupo de fazendeiros não dependia do trabalho escravo. Entretanto, não tinha muita influência no sistema político, embora tivesse poder econômico. No final do século XIX, essa elite já não concordava com a política centralizadora do Império. Então, a alternativa republicana já começava a ser vista como único caminho viável para chegar ao poder e acabar com a centralização do Império. Viam, então, para isso, a implantação de uma república federalista. Assim, no decorrer da segunda metade do século XIX, o movimento republicano obteve o apoio da elite cafeeira do Oeste paulista, que o tornou mais influente e poderoso. O Império, que já não tinha o apoio dos setores urbanos, não pode mais contar também com o apoio das elites cafeeiras.

A ideia do federalismo, na questão dos ideais republicanos, deveu-se também à insatisfação das elites de setores produtivos das províncias quanto a sua importância pouco expressiva diante dos interesses do Império no Rio de Janeiro. Insatisfeitos porque encontravam-se afastados das decisões tanto centrais quanto de seus próprios interesses provinciais, pois o Império vivia em torno do Rio de Janeiro. Mais uma fatia, então, começava a se associar aos princípios do republicanismo, por descontentamento.

Perdeu ainda, o Império, o apoio da Igreja (Questão Religiosa). A “questão religiosa” era originada nos atritos entre o alto clero e o governo imperial. Ou seja, o Papa ordenava punições aos religiosos maçons, entretanto, participavam da maçonaria diversos padres, importantes políticos e também elites econômicas. Seguindo orientação papal, os bispos começaram a punir os padres maçons. D. Pedro II, por outro lado, anulava as punições, e uma situação e relacionamento difícil se estabelecia entre a Igreja e o Império. A partir de então, muitos elementos do clero se uniram aos ideais republicanos, pois estes pregavam a separação entre a Igreja e o Estado.

Outro fator que fez o Império perder apoio, foi o descontentamento dos militares (Questão Militar).  A “questão militar” começou com a conscientização, pelos militares, de sua importância. Isso começou depois da Guerra do Paraguai. Antes, os militares eram considerados em segundo plano diante dos civis. A partir de então, os militares começaram a manifestar insatisfação pelo tratamento que recebiam do Império. Com a liderança de Benjamin Constant, que era partidário dos ideais republicanos e positivistas, um grupo de oficiais começava a tornar público as insatisfações militares e juntou-se às causas republicanas. Muitos incidentes ocorriam entre o Império e os militares, pois a estes era proibido qualquer pronunciamento público. Os incidentes acabaram envolvendo chefes militares importantes como o Visconde de Pelotas e o Marechal Deodoro da Fonseca. Tudo isso ia favorecendo a difusão do ideal republicano, agora também já no meio militar.

Estas duas Questões, não sendo exatamente fatores desencadeantes da Proclamação da República, foram demonstrativos ou efeitos do descompasso entre o Poder Civil e o Religioso, no caso da Questão Religiosa; e animosidades entre as Forças Armadas e o imperador, pelo tratamento do governo, o que facilitou a difusão das ideias republicanas e a influência do Positivismo, no caso da Questão Militar.

O Império também apoiava-se na escravidão e, portanto, tinha o apoio dos escravistas. Mas a pressão do abolicionismo foi mais forte e o Império cedeu. Com a Abolição, os tradicionalistas e os escravistas (senhores de engenho do Nordeste e cafeicultores do Vale do Paraíba), que eram fazendeiros, sentiram-se traídos pelo governo imperial e deixaram também de apoiá-lo. A crise da escravidão iniciou-se com o fim do tráfico e foi acelerada pelo crescimento da luta abolicionista, pela imigração e pela elevação dos custos do trabalho escravo. Praticamente todos os cargos importantes do Império estavam nas mãos da tradicional e decadente classe de grandes proprietários escravistas, que queriam preservar a escravidão e o sistema político centralizador do Império. A abolição, para eles, como já me referi acima, foi uma traição.

Transformações econômicas, políticas, culturais e sociais, já vinham ocorrendo no mundo por conta da Revolução Francesa e da Revolução Industrial.  Desta última somam-se ainda as novas condições econômicas onde a agricultura já não era a única fonte de produção, pois começavam a surgir indústrias, organizações de crédito e ferrovias para o melhor transporte da produção. A crise escravista, a mão de obra imigrante e as novas técnicas de produção econômicas reforçaram, portanto, nas novas configurações das mudanças que estavam prestes a ocorrer.

Grupos sociais novos surgem a partir do crescimento da população urbana mais pobre. Surgem os operários, a burguesia e os trabalhadores de indústrias. E isto traz um choque de tradições e culturas, novos métodos de produção no campo, novas tecnologias, conflitos entre o poder político e o poder econômico e ainda novas aspirações que permeavam as mentalidades.

No turbilhão de todos estes conflitos, contradições e jogo de interesses, enfraqueceram-se as oligarquias tradicionais e o próprio Império, favorecendo e fortalecendo o movimento republicano e a consequente Proclamação da República.

Então, podemos ainda perguntar: a República foi uma “revolução” ou uma “evolução natural do Império”? Sabe-se que os republicanos não eram a favor de uma revolução sangrenta. E Quintino Bocaiúva, Benjamin Constant e outros eram declaradamente adeptos de uma evolução natural do Império à República, segundo as suas crenças positivistas, ou seja, uma lei na história chamada de “inevitabilidade evolutiva natural”.

Mas a Proclamação da República concretizou-se após fracassadas tentativas políticas e um clima de tensão. Os militares foram chamados, e o Marechal Deodoro da Fonseca, reunido com Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério, Cel. Solon Ribeiro, dentre outros, aceitou a proposta de depor o Império e, em 15 de novembro de 1889, levou a cabo a Proclamação da República. As tropas do exército cercavam o Ministério da Guerra, pelo lado militar, enquanto pelo lado civil, Silva Jardim, José do Patrocínio e Lopes Trovão organizavam um ato público em frente à Câmara Municipal, pedindo o fim da monarquia e o início do novo regime republicano.

Enfim, podemos dizer que a República foi proclamada por um grupo que era, no fundo, contra a República. Porém, como um último recurso, viam na Proclamação da República, que pode ser chamada de “golpe”, a oportunidade dar continuidade a seus interesses políticos e econômicos. Este grupo, ou seja, a classe dominante do Império, economicamente falando, sentindo-se sem poderes políticos para que pudesse administrar em prol de seus próprios interesses, e mesmo com uma aberta contradição entre o poder político e o poder econômico, lançou as bases essenciais ao “golpe da República”. Mesmo a contra-gosto, entenderam que somente o ideal federalista e a República poderiam solucionar seus interesses.

Assim, a República foi proclamada, em essência, para favorecer aos grandes proprietários. Uma república que foi proclamada sem a participação do povo (escravos e classes pobres). Este povo, excluído da sociedade, apenas assistia “bestializado”, e à margem, a “parada militar” e o “palco teatral republicano” (conforme as palavras do historiador José Murilo de Carvalho). Por outro lado, também cabe incluir, que não deixou de ter uma inspiração na evolução natural política, conforme as tendências e cenário político, social, cultural e econômico mundial da época (Positivismo, Iluminismo, dentre outros).


Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)



Referências e sugestões bibliográficas:

-“Brasil: síntese da evolução social”, Aluysio Sampaio
-“Da Monarquia à República: momentos decisivos”, Emilia Viotti da Costa
-“Formação Histórica do Brasil”, Nelson Weneck Sodré
-“Brasil em Perspectiva”, Carlos Guilherme Mota (org.)
-“Viva a República!”, Donatello Grieco
-“Os Bestializados: o RJ e a República que não foi”, José Murilo de Carvalho


Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O MARQUÊS DE POMBAL

16 de outubro de 1769: o Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, no reinado de D. José I, Rei de Portugal, recebe o título de Marquês de Pombal.


A transformação econômica do século XVIII acontecia paralelamente a uma agitação no nível das ideias. Tal agitação foi conhecida como Iluminismo filosófico, cuja missão era o impulso a uma nova visão de mundo e do homem, baseando-se no retorno à razão.

Em 1750, em Portugal, ocorria o fim do reinado absolutista de D. João V. Momento que ocorria também a transição modernizadora do Estado português. Este, um país atrasado por causa da dependência política e econômica em relação à Inglaterra, de uma imensa burocracia administrativa e de um conservadorismo mental da Igreja Católica, dentre outras causas.

Dentro dessa transição, Portugal já sentia o clima do Iluminismo e do “despotismo esclarecido”. Os “déspotas esclarecidos” eram monarcas e ministros influenciados pelo Iluminismo. O Ministro Sebastião José de Carvalho, no reinado de D. José I, é feito Marquês de Pombal. Este, um seguidor das ideias Iluministas, as mesmas dos filósofos Diderot, Lock, Hume, Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Helvetius e outros.

O Estado português encontrava-se enfraquecido, e Pombal buscava revigorá-lo, aperfeiçoando o mercantilismo, no plano econômico, e medidas do espírito iluminista, no campo administrativo. Buscava ainda libertar o Estado da influência direta e impositiva da Igreja Católica que era quase um Estado paralelo. Para isso expulsou os jesuítas de Portugal e do Brasil, pois o ensino era dominado pela Igreja, passando, então, a ser responsabilidade do Estado. A Universidade de Coimbra, por exemplo, foi reformada dentro dos padrões iluministas. No seu ministério foi criada a Real Fazenda, o incentivo à produção do vinho e manufaturas. No Brasil colonial, Pombal estimulou a criação de usinas de beneficiamento de produtos primários destinados à exportação (arroz, couro, fumo etc.), criou novas companhias de comércio, diversificou as atividades agrícolas e artesanais. Também intensificou a opressão fiscal contra a colônia.

Durante 27 anos, Pombal, como principal ministro e homem forte do governo português, buscou reformas, atuando como um “déspota esclarecido”.

Temos, apesar das contradições, erros e interesses, um avanço cultural, social e político. Os fatos históricos, culturais, filosóficos não param no tempo. Há uma constante mudança de maneiras de pensar e ver o mundo. E o Iluminismo, aqui ilustrado na figura do Marquês de Pombal, levou sua Ilustração ou Filosofia das Luzes como um gesto alternativo a um mundo obscuro, feudal, supersticioso e repleto de tradições intocáveis.

As bases rumo à Revolução Francesa estavam prontas, e o “Antigo Regime” estava em vias de cair. O termo “Antigo Regime” (Ancien Régime) era usado para nomear a situação econômica, social e política anterior a 1789. Ou seja, o mercantilismo monopolista, o Pacto Colonial, os restos do feudalismo, e a predominância parasitária do clero e da nobreza.

O Iluminismo, na verdade, reforçou e foi reforçado pela Revolução Francesa. Suas ideias e ideais eram constantemente condenados e reprimidos pela Igreja. Impressos e livros (Enciclopédia) eram constantemente queimados. Entretanto, graças a diversos “clubes de ideias ilustradas” e à Maçonaria, os ideais iluministas continuaram a propagar-se.

Se por um lado o Iluminismo e a Revolução Francesa exageraram em alguns aspectos, ou deram muita ênfase ao racional e a busca de uma liberdade sem limites ou sem responsabilidade em alguns setores, como o econômico, por outro lado o atraso, a ignorância, o luxo desenfreado, os abusos do clero e da nobreza, a situação miserável e escrava das classes trabalhadoras eram insuportáveis.

Assim, o mundo via pela primeira vez algumas mudanças substanciais em diversos setores: nas questões jurídicas, pois começava a garantia legal dos direitos e deveres dos cidadãos; no “esclarecimento” que difundia-se em vários países europeus e americanos; na criação das bases ideológicas da Revolução Francesa e independência das colônias americanas; na educação, cultura e ciências; e na limitação do poder político da Igreja.

O mundo estava precisando de um pouco de Razão e Progresso; de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Os povos precisavam dar oportunidade à razão que há muito estava sufocada pela intolerância religiosa prepotente.

E o certo é que o progresso do homem só será garantido através do livre exercício de suas faculdades, a partir da liberdade de pensar.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Referências e sugestões bibliográficas:

- “O Brasil em Perspectiva”, Carlos Guilherme Mota (org.)

- “Síntese de História da Cultura Brasileira”, Nelson Werneck Sodré

- “A Etiqueta no Antigo Regime: do sangue à doce vida”, Renato Janine Ribeiro

- “O Sistema Colonial”, José Roberto do Amaral Lapa

- “História do Brasil Colonial”, Luiz Roberto Lopez

- “O Iluminismo e os Reis Filósofos”, Luiz R. Salinas Fortes

- “As Grandes Correntes do Pensamento”, Voltaire Schilling

- “A Era das Revoluções”, Eric J. Hobsbawm




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal